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30 de abril de 2015

A cafajeste

Me vi sendo justamente aquilo que sempre detestei em meu pai e nos homens: a cafajestagem. Me vi sendo uma mulher forte sim, mas puramente individualista, egoísta e malandra. Me tornei o total oposto de minha mãe por medo de sofrer nas mãos dos homens e me tornei exatamente o que meu pai é. Não consegui ser um "meio-termo", algo entre o cafajeste e a iludida. Esse pequeno detalhe da minha personalidade(infelizmente, é um mal incrustado em mim e eu conviverei com isso, numa espécie de amor-ódio por essa característica), ia passar desapercebido por mim se não fosse o completo e irrevogável homem bater à minha porta: alguém extremamente gentil, sincero e protetor. Um homem sim, querido e másculo, como todos os homens deveriam ser. Esse homem me fez ver o quão ruim eu tenho sido com os outros homens. Ele me fez querer ser o melhor de mim. Me fez querer ser alguém que se equivalesse ou, pelo menos, quase me equivaler a alguém como ele. Ele sentiu sim, meu descaso, ego e jeito esnobe. Mas, quando ele sentiu, eu também senti dessa vez. Senti que estava sendo alguém que não sou realmente eu. Eu sou sim, alguém individualista, egoísta e malandra. Gosto de me divirtir do jeito que eu quero e quando quero. Gosto. Mas, ser cafajeste por ser cafajeste, isso sim não é alguém que eu sou. Eu nunca agi como uma por querer. Estava apenas sendo solteira, pois eu sei viver apenas desse modo. Nunca fui ensinada antes a ser manhosa ou carinhosa como uma namorada deve ser. Mas, eu quero, um dia, poder ser a namorada de alguém. Seja ele ou seja outra pessoa, não me importa. Preferiria que fosse ele, mas somente a vida pode realmente decidir isso. Então, eu remo. Remo com toda a minha força de vontade. Remo contra o passado torturoso de minha mãe e contra o histórico cafajeste de meu pai. Remo para me encontrar porque, no final, eu sou filha deles, eu sou a metade de cada um deles. Há uma metade deles em mim e essas partes me tornarão realmente aquilo que eu quero ser: livre.